sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Au revoir Julien... Reviens vite...

Há uma semana que respiro outros ares, um ar que não o da minha cidade, que não o da minha casa e muito menos o do meu quarto… Mas um ar que também em tudo é familiar uma vez que estou na terra que me viu nascer…
A última semana tem sido cheia de aventura e ao mesmo tempo com uma intensidade brutal…
Hoje, senti mesmo aquela necessidade de parar, pensar e perceber que o tempo tão depressa se encarrega de separar pessoas como tão depressa se encarrega de voltar a cruzar caminhos já antes vividos…
Desde há mais ou menos três semanas que muito já se recuou no tempo e se recordou a infância em que idiomas como o Português e o Francês se misturaram em brincadeiras e travessuras… Mas a mais mágica mistura deu-se nos últimos quatro dias, as recordações deram lugar a um olhar azul inesquecível que atentamente observava, a sorrisos envergonhados, a troca de palavras com timidez, provocações, códigos de assobiadelas e muita gargalhada por figuras tristes na tentativa de aproximação…
Mas todo o ridículo faz sentido quando a aproximação é conseguida e vale a pena… Só é pena que o tempo tenha passado tão depressa e que a esta hora os caminhos novamente cruzados se tenham separado outra vez e os mais que muitos quilómetros já se façam sentir com saudade…
Au revoir Julien… Reviens vite…

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Desabafos de uma Tuga...

Regresso em poucos dias… Pois é… Ainda na sexta-feira a noite escrevia neste blog coisas maravilhosas da vida e hoje (segunda-feira) venho com vontade de partir tudo porque tal como qualquer ser humano não sou de ferro e o meu saco também enche e explode. E hoje, vai explodir neste blog ao som de músicas mais que explosivas de “Queen of the dammed”. Sim, eu estou a ouvir música desta!!! Porque já que vivemos num país em que não tarda nada sai uma lei a permitir que se mate o próximo porque não acontece nada e outra lei que permita aos nossos médicos incompetentes não só deixar os portugueses bater as botas, bem como aumentar a comunidade invisual por cobardia, incompetência ou ainda com o uso de medicamentos que são tiro e queda, também me é permitido a mim sair da regra e ouvir música denominada por muita gente como “estraga colunas” ou ainda “música de malucos”. Aviso desde já também, que não me responsabilizo por qualquer entusiasmo da minha parte que me faça soltar um palavrão, sim, convém avisar porque há mentes que pensam ser mais puras que outras e que abrem logo a bocanha com expressão de espanto quando ouvem dizer algo como por exemplo: “esta *erda” mas que no fim das contas feitas são mais impuras do que quem diz palavrões.
E apetece-me começar a esmiuçar a saúde em Portugal que de dia para dia vai ganhando um cantinho especial no coração dos portugueses… Só se for no coração daqueles que quase morrem de ataque cardíaco quando acordam de operações e não vêm nada a frente e pensam que morreram e estão em viagem no dito túnel escuro em que desesperados procuram a luz ao fundo… Não é nada disso tugas!!! Vocês não morreram, simplesmente vos mataram os olhos!!! Mas que é esta *erda *aralho?!! Ups, peço desculpa pelos palavrões impuros, foi o entusiasmo.
É também moda na medicina portuguesa, entrar um pobre tuga nas ainda mais pobres urgências de um qualquer hospital, já quase a ganhar umas asas de anjinho e a caminho do céu e que depois de visto por um médico atencioso e que se nota na China que é entendido e que gosta do que faz, é mandado para casa porque aquilo passa. Como é óbvio não passa, porque ao contrário do que muitos pensam, quando um tuga se queixa e se sujeita a passar horas a fio numas urgências a espera de ser atendido é porque realmente tem algo que não se deve ignorar até se ter a certeza que não é maligno para o doente. E depois de ter passado por hospitais e centros de saúde em que por quatro vezes disseram a este pobre tuga que era uma constipaçãozita e que passava, foi-lhe detectada Gripe A que já o tinha com um pé na terra e outro no céu!!! *oda-se!!! Mas que condições de saúde nos oferece o nosso país afinal?
E estes exemplos são ainda recentes, sim, porque eu gosto de ver o noticiário e estar informada, só é pena que as informações sejam deste tipo e façam cair mal as refeições (porque as minhas refeições coincidem com as horas do noticiário).
Outro sarilho que faz bum na minha cabeça é a nossa justiça. Quer dizer… Esperem lá… As vezes interrogo-me se nós temos justiça!!! Ups!!! Já estava a cometer um erro!!!
Pois é, para mal da segurança dos tugas vivemos num país em que qualquer dia em vez de se distribuírem apertos de mão se distribuem mas é balas e em vez de se apostar na taxa de natalidade aposta-se mas é em actos heróicos de mães que têm a amabilidade de matar os seus bebés. E os processos judiciais que se arrastam durante anos feito caracóis pegajosos para depois não darem em nada e tudo sair livre que nem passarinhos como que se não tivessem sido responsáveis por actos de abuso sexual a menores, violações, violência doméstica e assassinatos?!!
E depois queixam-se que a criançada de hoje em dia já nasce a ser mal educada e a destruir tudo o que encontram a frente!!! Com exemplos destes a passarem-lhes a frente dos olhos todos os dias queriam o quê?! Que as criancinhas brincassem com bonecas, jogassem ao pião, saltassem a corda ou elástico e fizessem boas acções?! Isso era no meu tempo em que quando partia um prato já tinha logo direito a sermão com missa cantada. Agora as criancinhas gostam mais de joguinhos de luta e sangue que determinados paizinhos gostam de comprar aos filhinhos para não se ficarem a trás dos amiguinhos que já têm a colecção toda do super parte tudo e do herói que mata todos. Que tristeza. Se lhes dessem mas é educação.
Hoje em dia já não há nada de sermão com missa cantada uma vez que há pais que querem ser tão modernos que quando vão a um restaurante com os filhotes se eles destruírem tudo ainda lhes acham piada e dizem: “oh são crianças precisam de andar a vontade”. Ai que nervos me sobem pela espinha acima agora!!! Só me ocorre dizer que na sociedade de hoje se criam pequenos terroristas e não criancinhas de bochechinhas que dão vontade de apertar com tanta doçura que transmitem. Mas há ainda o cúmulo da modernice, ou burrice não sei bem, que é permitirem que filhos de quatro anos tenham hi5 e derivados e depois admiram-se que fiquem expostos a papões de criancinhas!!!
E a descriminação? Para não variar e como é lógico o nosso país não se fica a trás neste campo também!!! Ah pois é!!! Ou é porque uns são amarelos e outros cor-de-rosa, ou é porque uns são da aldeia e outros nasceram num berço de ouro, porque uns são médicos e outros cavam a terra todos os dias, porque uns são portadores de deficiência e outros acham-se a beleza em pessoa, o certo é que a sociedade se esquece que todos somos seres humanos que nascemos e morremos sem ninguém ficar cá para semente.
Pegando num termo que usei em cima, portadores de deficiência, temo dizer que a mente social de hoje em dia deixa muito a desejar e chega mesmo a ser falsa mostrando respeito na frente destes portadores mas se for preciso nas costas usam expressões do género: “coitado/a”, “incapacitado/a que queria trabalhar como os outros”… Para começar estes seres humanos não precisam que tenham pena deles, precisam sim de apoios conforme as suas necessidades, precisam de respeito e não de serem postos de parte e acima de tudo precisam de oportunidades na sociedade porque são tão ou mais capazes do que muita gentinha que ocupa postos de trabalho e só aquecem o lugar e enchem os bolsos porque a competência e eficiência ficaram na primeira classe. Só quem passa por elas é que sente na pele o que acabei de dizer…
E como hoje estou inspirada e a arder com esta explosão de palavras, queria também falar da mais que elevada quantidade de hectares que andam a arder no nosso país. Na verdade está um calor abrasador e qualquer coisinha serve para ser ponto causador de tanto fogo. Mas é verdade também que a hipótese de fogo posto nunca fica de parte. Com fogo posto ou não é de louvar o trabalho feito pelos nossos bombeiros que arriscam a vida, e muitas vezes com equipamentos precários, para salvar populações em risco. Infelizmente as coisas nem sempre correm bem e estes Heróis morrem no combate as chamas como acabou de acontecer num incêndio em São Pedro do Sul.
Para último lugar deixei um assunto que me faz dar duas voltas ao elástico, os papagaios do poder… Pois é, o nosso país está cada vez mais enterrado e de tanto apertar o cinto daqui a pouco anda tudo a vomitar o estômago e companhia pela boca. Mas o que ainda não me saiu da cabeça foi quando há umas semanas vi no noticiário uma jornalista andar nas ruas a interrogar os tugas no que diz respeito ao nosso país em que a questão era algo do género: “se o primeiro ministro pedisse aos portugueses uma contribuiçãozinha para levantarmos o país, contribuía?” era mais ou menos desta forma que foi colocada a questão. E quando eu pensava que as respostas fossem todas pesar para o mesmo lado, fiquei abismada quando ouvi pessoas dizerem que não se importavam de contribuir com uma ajudinha!!! Bem, afinal há gente que das duas uma, ou tem uma piscina em casa cheia de notas e nada nelas ou disse aquilo para fazer boa figurinha perante as câmaras!!! Mas eu gostei especialmente daquelas pessoas, grandes pessoas, que disseram que já não basta subir tudo menos os ordenados que ainda tínhamos que ser nós, o pobre do povo, a ajudar o Senhor primeiro ministro a levantar o país, ele que se desenrasque que o povo faz o mesmo e é se quer sobreviver!!!
Perante tão longa escrita, afirmo que ninguém é perfeito e como não podia deixar de ser eu não sou excepção. Mas afirmo também que talvez seja mais que tempo de que já que não somos perfeitos, se comece a construir o caminho para essa perfeição em vez de andarmos aqui por andar, de termos que pisar os outros para chegarmos aos nossos objectivos, de termos que usar caminhos sujos para obtermos riqueza e de andarmos as turras por *erdas ridículas que não levam a lado nenhum…
Quanto aos nossos médicos, Juízes Políticos, sejam competentes, mostrem serviço e não sirvam apenas para encher os bolsos porque o país depende de vocês…
Hello!!! Acorda Mikas!!!! O mundo perfeito não existe nem vai existir porque a sociedade gosta é de escândalos, de futilidades e de ser sempre mais que os outros…
*odam-se estas mentalidades…

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Repetir sempre que possível... :-D

Uma vez que faltam poucos minutos para o dia seguinte e devido as minhas poucas horas de sono nos últimos dias, já devia estar a ser abraçada pelos meus lençóis brancos como a cor da paz…
Mas ao contrário do que devia estar a fazer, estou sentada em frente ao meu portátil para enriquecer o meu blog de bons e maus momentos.
Por enquanto, a minha energia e agitação pedem-me para falar dos dois últimos fins-de-semana que foram muito bem passados…
O primeiro fim-de-semana foi passado num rio que me viu crescer de ano para ano e que frequento todos os fins-de-semana durante o verão. Um lugar especial, cheio de recordações da minha vida e um paraíso onde me continuo a divertir e muito. Embora este ano o tempo já me tenha permitido dar uns bons mergulhos desde Junho, vou falar especialmente do fim-de-semana dos dias 24 e 25 de Julho pois foram dois dias de convívio ao mais alto nível (lol). Apetece-me falar destes dois dias porque se juntou um grupo de Mirandelenses e Portuenses que como se calcula foi macacada certa. Este grupo misto e muito bem disposto por sinal, resolveu fazer uma jantarada a beira rio. Mas atenção!!! Qual restaurante qual quê!!! Nada disso!!! Esta malta veio equipada com comidinha para assar e muita bebida para animar noite fora… Desde os rebeldes saltos que se dão da árvore e do nosso fiel calhau para a água, passando pela alta jantarada até as tantas e terminando num regresso a casa de caixa aberta, só tenho um comentário a fazer: podemos repetir?
No que diz respeito ao fim-de-semana seguinte, escrevo com grande orgulho sobre a festa de uma das cidades mais bonitas de Trás-os-Montes – Mirandela. Festa que não decorre apenas no fim-de-semana da Padroeira Nossa Senhora do Amparo, mas sim duas semanas antes englobando o campeonato mundial de motas de água. Mas sim, sem dúvida que o forte desta festa é o fim-de-semana em que na noite de sexta para sábado a cidade não dorme devido a noite dos bombos. Nesta noite, toda a gente tem um bombo nem que seja uma panela com a respectiva tampa mas o que vale é passar a noite toda a percorrer as ruas da cidade a bombar nos bombos e na bebida está claro (lol). No sábado, o momento mais aguardado tanto por Mirandelenses como por milhares de visitantes, é o fogo de artifício sobre o rio Tua. Um fabulástico espectáculo de pirotecnia sobre as águas do rio Tua iluminando o céu da cidade durante quase duas horas. Eu sei que sou suspeita porque afinal falo da cidade que me viu nascer, mas vale mesmo a pena ver este autêntico espectáculo porque são imagens lindas e coloridas que ficam nas nossas memórias para sempre…
Um dia, quem sabe um dia a vida não me renova essa imagem linda…

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Por quem não esqueci... Olha por mim aí em cima amigo...

Esta é a primeira publicação do mês de Julho… Mais um mês comum dos doze que fazem o ano, mas que quando recordado num passado de há cinco anos traz uma lembrança triste que nunca foi esquecida nem será no futuro…
É inevitável não falar desse acontecimento no meu blog e de uma pessoa que durante anos fez parte da minha vida, do meu dia-a-dia, das brincadeiras e companheiro na sala de aula…
Um miúdo giro, cheio de graça, brincalhão até dizer chega e muito mas muito doido… (lol).
Recordo, sem dúvida, com um enorme sorriso nos lábios, as travessuras dele e em que eu estava quase sempre envolvida uma vez que também não era o exemplo da menina sossegadinha… (lol).
Lembro-me que passávamos muitas das aulas na conversa e brincadeira, os professores chegaram mesmo a separar-nos até ao fim da aula que decorria. Mas o que me dá mais gozo lembrar e que ainda hoje me faz rir feito tola, foi um episódio que se passou numa aula de português do oitavo ano…
Era dia de receber a nota de um teste e por este facto a turma estava em grande agitação. Após recebermos o teste, e como fazíamos eu e esse meu companheiro de aula, começamos a comparar os testes e devido a uma resposta entramos em desacordo e perante esta situação a professora mandou-nos fazer silêncio. Como éramos meninos obedientes (lol, que ironia), continuamos a falar um com o outro fazendo talvez já um pouco de propósito para picar a professora que já não achando piada a brincadeira nos avisou mais uma vez. E mais uma vez os meninos obedientes continuaram a macacada em que já não me lembro bem porquê mas fiz uma festa com o meu teste na cabeça do meu companheiro ao qual ele resolveu reagir de uma forma cómica começando a queixar-se agarrado a um olho dizendo alto que eu o tinha agredido (logo eu que não batia a ninguém!! Só ao Luizinho!! Lol). Ao ver a reacção dele e sabendo que não lhe tinha feito nada muito menos tocado no olho, perguntei-lhe se ele estava bom da cabeça ao qual ele responde com um riso malandro fazendo-me perceber que ele tinha feito aquele teatro todo para ir dar uma voltinha ao recreio. E não é que foi? Aliás, fomos!! Sim, porque perante tal circo e depois de já termos sido avisados duas vezes, a professora enfurecida mandou-nos direitinhos para a rua com todas as letras para irmos apanhar ar. E lá foram os dois meninos bem comportados… Eu meia chateada e ele todo feliz!! (lol)
E falando em felicidade, era assim que ele era, um menino feliz, com a alegria como característica, amigo e com uma energia infindável.
Na “caixinha das memórias” está também o meu primeiro beijo… Sim, porque foi ele o primeiro menino a quem dei o meu primeiro beijo na inocência de quando se é criança… há momentos mesmo engraçados e que ficam sempre guardados.
Guardado também, está o dia em que ele partiu e que ainda hoje me interrogo se isso aconteceu mesmo…
Na madrugada do dia dois de Julho de 2005, e depois de uma noitada em Macedo de Cavaleiros, Hugo perdeu a vida num acidente de carro ao regressarem a casa… Ele vinha no banco de trás e já perto de Vila Real, quando o condutor perdeu o control do carro e tudo aconteceu…
Apenas seis dias mais novo que eu e tão cedo perdeu a vida, já tão perto de casa… Relembro como que se fosse hoje, o momento em que o telefone tocou e uma amiga e colega nossa me deu a notícia. Por momentos o meu cérebro parou e estava a ver muitos Hugos mas não ele. Quando cheguei finalmente a ele, não queria acreditar que era verdade e repetidamente me recusava a acreditar. Chorei, chorei muito agarrada a minha mãe como um bebé em aflição. Era real, era mesmo real e eu colocava flores do lado dele como que se fosse um sonho mau do qual eu iria despertar brevemente.
Certo é que nunca despertei, porque nunca foi um sonho mau mas sim sempre realidade… Certo foram também os dias seguintes em que tantas vezes falávamos entre amigos e nos perguntávamos porquê e se tinha realmente acontecido.
E mais que certo é também eu lembrar-me dele várias vezes, lembrar o dia de anos dele e também o dia em que ele deixou de estar entre nós…
Pois é, o que nos vai acontecer daqui a segundos ninguém sabe…
A vida brinca conosco, mas nós não devemos brincar com ela…
Esquecer-te nunca, nunca mesmo Hugo…
O teu chapéu vive por aqui…

terça-feira, 22 de junho de 2010

Silêncio das palavras... Grito da música...

A última vez que me fiz transparecer em palavras deixadas aqui, já lá vai há dias…
Por vezes os diversos sentimentos são tão profundos, que calam as palavras e o que reina é o silêncio… O silêncio da dor, da mágoa, dos momentos a sós, da saudade, da ausência e até mesmo o silêncio dos momentos felizes…
Se me perguntarem qual é o meu maior vício, respondo sem precisar de pensar que é a música…
E há músicas que dizem muito… Muito mais que qualquer palavra que eu sinta necessidade de libertar agora…

“Sim
eu sei do que falo
Sim
eu vivo ao lado
Nem tudo o que passa por mim
tem cheiro de cor
Nem tudo o que passa por mim
tem sempre sabor
E é sem cor
é sem cor que eu finjo que não existo
Sem cor
é sem cor que eu finjo que não sinto
Sei
de vidas que passam
Que nos são contadas
numa roda que é sem cor
São vidas pintadas assim
são cheias de cor
São vidas que passam por mim
sem qualquer sabor
E é sem cor
é sem cor que eu finjo que não existo
Sem cor
é sem cor que eu finjo que não sinto”

Drive – Sem cor

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Dá-me um abraço"

Hoje acordei cedo, cedo e de uma noite mal dormida…
As voltas na cama foram mais que muitas e as dores físicas fizeram-se notar… Mas o que dói mais é aqui dentro… O que me incomoda mais, é o que me faz despertar várias vezes durante a noite enchendo-me a cabeça que precisa tanto de repouso.
Um abrir de olhos, traz-me a inquietude do que permanece comigo até no meu sono, traz-me aquela sensação de angústia deixada pelo vazio de um mundo cor-de-rosa e que agora acorda escuro todos os dias…
Hoje, acordei a relembrar muitos dos momentos passados nos três últimos anos… Recordei o que ganhei, o que já perdi e o que vou perder muito em breve…
A hora da despedida aproxima-se a passos largos, tento controlar a ansiedade e o sofrimento por antecipação mas as saudades já sentidas são mais fortes que tudo o que me tente acalmar…
Abraçar-vos, só me apetece abraçar-vos com toda a força e sentir que nunca vão deixar de fazer parte de mim… Assim como vou abraçar sempre estes três últimos anos de vida académica onde muito aprendi e cresci do vosso lado.
Tudo ficará e tudo servirá para contar nem que seja a mais pequenina história… Desde o nosso ano de caloiros onde as praxes trazem saudade e esboçam sorrisos, as jantaradas em casa do pessoal ou no senhor David mais conhecido pelo senhor Hortas (lol), as noitadas, as nossas grandes noitadas no Pio no Metrópoles, no Copos, no Bar Académico, na Loocks e na Andromda… Muitas foram as noites que as mesmas ruas nos viram passar, muitas foram as noites que a cidade já adormecida nos ouviu cantar em nome do nosso curso… As festas, as nossas festas académicas, desde semanas do caloiro a semanas académicas que tantas vezes nos fizeram rumar a nossa tenda…
E o nosso humilde CIFOP? Sim, porque naquele humilde edifício muito se aprendeu em Psicologia… Muitos trabalhos se fizeram, muitas frequências rolaram e muitas matérias e professores nos vão marcar para o resto das nossas vidas…
Saudades, de tudo já sinto saudades… Como estaremos nós no dia 28 de Maio?
Há uma música que tenho ouvido nos últimos dias e que traduz bem o que preciso de toda a gente que gosto… Um abraço mas daqueles especiais e que dizem mais que mil palavras…

“Dá-me um abraço
que seja forte
e me conforte
a cada canto
Não digas nada
que o nada é tanto
e eu não me importo
Dá-me um abraço
fica por perto
neste aperto
tão pouco espaço
Não quero mais nada
só o silêncio
do teu abraço
Já me perdi
sem rumo certo
Já me venci
pelo cansaço
Estando longe
estive tão perto
do teu abraço
Dá-me um abraço
que me desperte
e me aperte
sem me apertar
Eu já estou perto
abre os teus braços
quando eu chegar
É nesse abraço
que eu descanso
Esse espaço
que me sossega
e quando possas
dá-me outro abraço
só um não chega
Já me perdi
sem rumo certo
Já me venci
pelo cansaço
Estando longe
estive tão perto
do teu abraço”

Miguel Gameiro (vocalista dos Pólo Norte) – Dá-me um abraço

terça-feira, 4 de maio de 2010

Semana Académica 2009/2010 - Podemos repetir?

A última vez que aqui escrevi, foi no primeiro dia de uma semana mágica…
Semana que se iniciou no dia 22 de Abril de 2010 (quinta-feira) e terminou no dia 28 de Abril de 2010 (quarta-feira), a minha semana académica como finalista…
As expectativas eram muitas, o desejo de ser aquela semaninha especial permanecia na cabecinha de todos uma vez que provavelmente foi a última em que o grupo esteve junto…
Desde jantaradas a concertos, de muita alegria a lágrimas, de reencontros a novos conhecimentos, tudo vai ficar gravado dentro de nós e tudo um dia mais tarde será relembrado como o nosso tempo de estudantes universitários…
Cada noite foi diferente mas sempre especial… Recordo momentos marcantes para mim e que me sabe bem relembrar…
Começo por quinta-feira, o jantar de curso que de tudo causou em mim… Foi um misto de sentimentos um tanto ao quanto difíceis de explicar. Ansiedade, muita ansiedade por aquela hora mas ao mesmo tempo o vazio de ter sido o último com muita gente que me é querida.
Nesta mesma noite, foi também o momento da serenata que sempre causou grande impacto em mim mas que desta vez foi mais que um impacto… Serenata capaz de me mover interiormente transportando-me para o primeiro dia em que fiz parte da nossa academia fazendo-me viajar de seguida por momentos passados até então. Momento em que tracei também a capa negra as minhas afilhadas revendo-me no lugar delas quando o meu padrinho me traçou a minha no meu ano de caloira.
A noite foi então terminar na nossa tão espectacular tenda ao som de Iran costa que soltou o bicho levando talvez muitos de nós a lembrar o tempo em que éramos mais novos e dançávamos tão inocentes…
Sexta-feira, afirmo sem dúvida que esta noite me soube bem, mesmo muito bem ao subir de uma banda que já há alguns anos não presenteava a nossa academia… E os Xutos e Pontapés fizeram saltar a tenda ao ritmo de músicas como: “Contentores”, “Circo de feras”, “Homem do leme”, “Casinha”, etc. A juntar a isto, a companhia de amigos, amigos que ficarão para sempre…
Sábado, o verdadeiro dia… O dia que há uns anos a trás pensava nunca ser possível de alcançar devido ao que me foi tirado um dia no passado… Mas hoje, digo que o consegui e não me arrependo em nada de ter lutado por ele… O dia em que queimei as fitas, em que de tudo me vou lembrar. Desde a missa rodeada pelo meu pessoal, passando pelo almoço em família e com bons amigos que foi a melhor sensação do mundo tê-los todos juntos e terminando na queima e cartolar.
Se há dias que vou guardar sempre com alegria e orgulho, vai ser este… Um dos mais importantes na minha vida…
Domingo, vestidinhos a rigor e lá fomos nós para o nosso baile de finalistas. Bem aprumadinhos, de belos penteados, vestidos xpto e sapatinho alto de fazer doer os pés mas que foram postos de parte quando o baile começou a aquecer…
Devo dizer que me diverti muito e me fartei de dançar…
Segunda, este dia foi dedicado ao convívio na tuna onde foi organizada uma churrascada na tasquinha do estudante. Atenções mais voltadas para o meu pessoal da tuna mas quem faz parte do meu diário no curso também esteve presente… Desta noite recordo não só o convívio, as cantiguinhas, a animação como também o momento em que a nossa tuna foi apadrinhada por tão mui nobre tuna que temos como referência. Todo um grupo de pessoas fantásticas que espero que nunca deixem de o ser…
A noite seguiu para a tenda onde se prolongou até bem tarde ao som de Kussondulola e Fernando Alvim.
Na terça, afirmo e reafirmo que foi aquela brutal noite da liberdade total… Foi a noite dos DJ’s onde o DJ Diego Miranda fez bombar… Sei que me diverti muito, me ri ainda mais, abusei e reabusei dos insultos neurais (código de psicólogos lol) e foi mais uma noite para juntar a outras em que cheguei a casa com o cantar dos passarinhos e o dia a amanhecer…
Não esqueço que foi também nesta noite que reencontrei alguém que me fez esboçar um sorriso já há algum tempo não conseguido… Quem diria que era no meio de tanta gente que nos íamos voltar a ver…
É então chegado o último dia de tão fantástica semana académica. Quarta e o nosso cortejo académico! O dia do nosso cortejo académico como finalistas onde muita bengalada se deu e recebeu mas acima de tudo não faltou diversão…
O último dia, foi então mais uma vez celebrado na tão famosa tenda com o tão igualmente famoso Quim Barreiros!!! Dançar bem se dançou, mas o corpo já pedia descanso…
E assim são as memórias de dias mais que especiais, não só pela etapa das nossas vidas a marcar o nosso ano de finalistas mas também pelos amigos que se fizeram ao longo destes anos de curso na nossa academia.
Ao falar em amigos, deixo passar na minha mente o nome de cada uma e cada um de vocês… Nomes e pessoas que jamais irei esquecer e que ficarão gravados em mim para sempre…
Nem o tempo vos vai conseguir apagar de mim pessoal… Porque eu não quero e porque nunca vou deixar…
Eu sei que falta pouco para acabar e que o dia da despedida está para breve… Mas ainda está para vir o dia em que a cidade e arredores nos hão-de ouvir gritar pelo nosso curso e havemos de mostrar que o núcleo forte ainda existe…