terça-feira, 22 de junho de 2010

Silêncio das palavras... Grito da música...

A última vez que me fiz transparecer em palavras deixadas aqui, já lá vai há dias…
Por vezes os diversos sentimentos são tão profundos, que calam as palavras e o que reina é o silêncio… O silêncio da dor, da mágoa, dos momentos a sós, da saudade, da ausência e até mesmo o silêncio dos momentos felizes…
Se me perguntarem qual é o meu maior vício, respondo sem precisar de pensar que é a música…
E há músicas que dizem muito… Muito mais que qualquer palavra que eu sinta necessidade de libertar agora…

“Sim
eu sei do que falo
Sim
eu vivo ao lado
Nem tudo o que passa por mim
tem cheiro de cor
Nem tudo o que passa por mim
tem sempre sabor
E é sem cor
é sem cor que eu finjo que não existo
Sem cor
é sem cor que eu finjo que não sinto
Sei
de vidas que passam
Que nos são contadas
numa roda que é sem cor
São vidas pintadas assim
são cheias de cor
São vidas que passam por mim
sem qualquer sabor
E é sem cor
é sem cor que eu finjo que não existo
Sem cor
é sem cor que eu finjo que não sinto”

Drive – Sem cor

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Dá-me um abraço"

Hoje acordei cedo, cedo e de uma noite mal dormida…
As voltas na cama foram mais que muitas e as dores físicas fizeram-se notar… Mas o que dói mais é aqui dentro… O que me incomoda mais, é o que me faz despertar várias vezes durante a noite enchendo-me a cabeça que precisa tanto de repouso.
Um abrir de olhos, traz-me a inquietude do que permanece comigo até no meu sono, traz-me aquela sensação de angústia deixada pelo vazio de um mundo cor-de-rosa e que agora acorda escuro todos os dias…
Hoje, acordei a relembrar muitos dos momentos passados nos três últimos anos… Recordei o que ganhei, o que já perdi e o que vou perder muito em breve…
A hora da despedida aproxima-se a passos largos, tento controlar a ansiedade e o sofrimento por antecipação mas as saudades já sentidas são mais fortes que tudo o que me tente acalmar…
Abraçar-vos, só me apetece abraçar-vos com toda a força e sentir que nunca vão deixar de fazer parte de mim… Assim como vou abraçar sempre estes três últimos anos de vida académica onde muito aprendi e cresci do vosso lado.
Tudo ficará e tudo servirá para contar nem que seja a mais pequenina história… Desde o nosso ano de caloiros onde as praxes trazem saudade e esboçam sorrisos, as jantaradas em casa do pessoal ou no senhor David mais conhecido pelo senhor Hortas (lol), as noitadas, as nossas grandes noitadas no Pio no Metrópoles, no Copos, no Bar Académico, na Loocks e na Andromda… Muitas foram as noites que as mesmas ruas nos viram passar, muitas foram as noites que a cidade já adormecida nos ouviu cantar em nome do nosso curso… As festas, as nossas festas académicas, desde semanas do caloiro a semanas académicas que tantas vezes nos fizeram rumar a nossa tenda…
E o nosso humilde CIFOP? Sim, porque naquele humilde edifício muito se aprendeu em Psicologia… Muitos trabalhos se fizeram, muitas frequências rolaram e muitas matérias e professores nos vão marcar para o resto das nossas vidas…
Saudades, de tudo já sinto saudades… Como estaremos nós no dia 28 de Maio?
Há uma música que tenho ouvido nos últimos dias e que traduz bem o que preciso de toda a gente que gosto… Um abraço mas daqueles especiais e que dizem mais que mil palavras…

“Dá-me um abraço
que seja forte
e me conforte
a cada canto
Não digas nada
que o nada é tanto
e eu não me importo
Dá-me um abraço
fica por perto
neste aperto
tão pouco espaço
Não quero mais nada
só o silêncio
do teu abraço
Já me perdi
sem rumo certo
Já me venci
pelo cansaço
Estando longe
estive tão perto
do teu abraço
Dá-me um abraço
que me desperte
e me aperte
sem me apertar
Eu já estou perto
abre os teus braços
quando eu chegar
É nesse abraço
que eu descanso
Esse espaço
que me sossega
e quando possas
dá-me outro abraço
só um não chega
Já me perdi
sem rumo certo
Já me venci
pelo cansaço
Estando longe
estive tão perto
do teu abraço”

Miguel Gameiro (vocalista dos Pólo Norte) – Dá-me um abraço

terça-feira, 4 de maio de 2010

Semana Académica 2009/2010 - Podemos repetir?

A última vez que aqui escrevi, foi no primeiro dia de uma semana mágica…
Semana que se iniciou no dia 22 de Abril de 2010 (quinta-feira) e terminou no dia 28 de Abril de 2010 (quarta-feira), a minha semana académica como finalista…
As expectativas eram muitas, o desejo de ser aquela semaninha especial permanecia na cabecinha de todos uma vez que provavelmente foi a última em que o grupo esteve junto…
Desde jantaradas a concertos, de muita alegria a lágrimas, de reencontros a novos conhecimentos, tudo vai ficar gravado dentro de nós e tudo um dia mais tarde será relembrado como o nosso tempo de estudantes universitários…
Cada noite foi diferente mas sempre especial… Recordo momentos marcantes para mim e que me sabe bem relembrar…
Começo por quinta-feira, o jantar de curso que de tudo causou em mim… Foi um misto de sentimentos um tanto ao quanto difíceis de explicar. Ansiedade, muita ansiedade por aquela hora mas ao mesmo tempo o vazio de ter sido o último com muita gente que me é querida.
Nesta mesma noite, foi também o momento da serenata que sempre causou grande impacto em mim mas que desta vez foi mais que um impacto… Serenata capaz de me mover interiormente transportando-me para o primeiro dia em que fiz parte da nossa academia fazendo-me viajar de seguida por momentos passados até então. Momento em que tracei também a capa negra as minhas afilhadas revendo-me no lugar delas quando o meu padrinho me traçou a minha no meu ano de caloira.
A noite foi então terminar na nossa tão espectacular tenda ao som de Iran costa que soltou o bicho levando talvez muitos de nós a lembrar o tempo em que éramos mais novos e dançávamos tão inocentes…
Sexta-feira, afirmo sem dúvida que esta noite me soube bem, mesmo muito bem ao subir de uma banda que já há alguns anos não presenteava a nossa academia… E os Xutos e Pontapés fizeram saltar a tenda ao ritmo de músicas como: “Contentores”, “Circo de feras”, “Homem do leme”, “Casinha”, etc. A juntar a isto, a companhia de amigos, amigos que ficarão para sempre…
Sábado, o verdadeiro dia… O dia que há uns anos a trás pensava nunca ser possível de alcançar devido ao que me foi tirado um dia no passado… Mas hoje, digo que o consegui e não me arrependo em nada de ter lutado por ele… O dia em que queimei as fitas, em que de tudo me vou lembrar. Desde a missa rodeada pelo meu pessoal, passando pelo almoço em família e com bons amigos que foi a melhor sensação do mundo tê-los todos juntos e terminando na queima e cartolar.
Se há dias que vou guardar sempre com alegria e orgulho, vai ser este… Um dos mais importantes na minha vida…
Domingo, vestidinhos a rigor e lá fomos nós para o nosso baile de finalistas. Bem aprumadinhos, de belos penteados, vestidos xpto e sapatinho alto de fazer doer os pés mas que foram postos de parte quando o baile começou a aquecer…
Devo dizer que me diverti muito e me fartei de dançar…
Segunda, este dia foi dedicado ao convívio na tuna onde foi organizada uma churrascada na tasquinha do estudante. Atenções mais voltadas para o meu pessoal da tuna mas quem faz parte do meu diário no curso também esteve presente… Desta noite recordo não só o convívio, as cantiguinhas, a animação como também o momento em que a nossa tuna foi apadrinhada por tão mui nobre tuna que temos como referência. Todo um grupo de pessoas fantásticas que espero que nunca deixem de o ser…
A noite seguiu para a tenda onde se prolongou até bem tarde ao som de Kussondulola e Fernando Alvim.
Na terça, afirmo e reafirmo que foi aquela brutal noite da liberdade total… Foi a noite dos DJ’s onde o DJ Diego Miranda fez bombar… Sei que me diverti muito, me ri ainda mais, abusei e reabusei dos insultos neurais (código de psicólogos lol) e foi mais uma noite para juntar a outras em que cheguei a casa com o cantar dos passarinhos e o dia a amanhecer…
Não esqueço que foi também nesta noite que reencontrei alguém que me fez esboçar um sorriso já há algum tempo não conseguido… Quem diria que era no meio de tanta gente que nos íamos voltar a ver…
É então chegado o último dia de tão fantástica semana académica. Quarta e o nosso cortejo académico! O dia do nosso cortejo académico como finalistas onde muita bengalada se deu e recebeu mas acima de tudo não faltou diversão…
O último dia, foi então mais uma vez celebrado na tão famosa tenda com o tão igualmente famoso Quim Barreiros!!! Dançar bem se dançou, mas o corpo já pedia descanso…
E assim são as memórias de dias mais que especiais, não só pela etapa das nossas vidas a marcar o nosso ano de finalistas mas também pelos amigos que se fizeram ao longo destes anos de curso na nossa academia.
Ao falar em amigos, deixo passar na minha mente o nome de cada uma e cada um de vocês… Nomes e pessoas que jamais irei esquecer e que ficarão gravados em mim para sempre…
Nem o tempo vos vai conseguir apagar de mim pessoal… Porque eu não quero e porque nunca vou deixar…
Eu sei que falta pouco para acabar e que o dia da despedida está para breve… Mas ainda está para vir o dia em que a cidade e arredores nos hão-de ouvir gritar pelo nosso curso e havemos de mostrar que o núcleo forte ainda existe…

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Semana Académica 2010

Quinta-feira, dia 22 de Abril de 2010

Dia que marca o início da semana académica, mas não é uma semana qualquer…
É a minha última semana académica com um grupo com quem durante três anos partilhei muito de mim… Desde grandes momentos repletos de cor e batida da noite a horas menos boas onde desabafos foram muitas vezes silenciados por lágrimas…
É o momento que marca o fim da minha primeira etapa como estudante universitária de um curso que me fascina e pelo qual tenho vindo a lutar, a Psicologia…
O caminho foi longo e duro, muito duro mas a passo e passo cheguei aqui e não mudaria nada…
É a minha semana de finalista, a minha e de todos os que me acompanharam até aqui…
Semana aberta a muita coisa onde vale tudo menos tristezas e recordações que fazem chorar e trazem mágoa…
Que seja uma semana feliz, muito feliz para todos nós e que um dia mais tarde só hajam sorrisos e brutais momentos para recordar…
A horas do jantar de curso e serenata, só peço a Deus que tudo corra bem e que seja mesmo uma semaninha de loucuras e muita borga mas muita borga mesmo…
Abusemos então dos insultos neuronais… Lol…
”E se Psicologia quer ser cá da malta tem que beber esse copo até ao fim e vai acima e vai abaixo e vai ao sexo e bota abaixo…”.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A minha vida é um barco...

Curso de Psicologia:
Tudo indicava para uma aula de Aconselhamento Psicológico normal…
E foi, mas com um lado prático em que a professora dava o início de uma frase e nós tínhamos que em quinze minutos dar continuidade a essa frase pondo em prática a nossa veia literária…
O começo foi: “A minha vida é um barco…”
E no tempo previsto desenvolvi então o seguinte texto:

A minha vida é um barco, nele, navego todos os dias. Umas vezes fico a deriva e sinto-me a naufragar, outras atraco em porto seguro e procuro repousar.
Nas ondas da minha vida, navego com agitação deixando-me levar pela fúria da sua força a bater na areia branca da praia e desfaço-me em espuma.
Nesse barco da minha vida, baloiço e baloiço ao sabor do vento quando este sopra e me empurra para um destino sem rumo. Mas quando este não sopra, tenho de usar as minhas forças para o fazer navegar e alcançar a felicidade que tanto procuro e anseio.
No barco que é a minha vida, percebo que sabe bem deixar-me ir ao sabor do vento mas sabe ainda melhor sentir que é o meu interior a fazê-lo navegar com a força do meu coração que em conjunto com os remos me fazem mover com a corrente.
E assim navego navegando neste barco que é a minha vida.

No início, parece não passar de um “jogo” mas rapidamente percebi que fazia todo o sentido… Percebi que realmente se pode fazer uma analogia entre a nossa vida e um barco…
Tal como os barcos, a nossa vida navega entre bons e maus momentos, a nossa vida pode naufragar ou atracar em porto seguro, tal como um barco baloiçamos ao sabor do vento sofrendo por vezes a agitação do dia-a-dia e tal como um barco também afundar em dias de tempestade.
Nada é em vão, assim como esta analogia não o foi e deu que pensar…

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Flutuando...

A flutuar nos meus dias
é assim que me encontro
sem conseguir pisar o chão
que tanto anseio alcançar
A flutuar à margem de um mundo
cada vez mais vazio
que não mostra nada de novo
e que se esconde por de trás da realidade
A flutuar no hoje
a cair no amanhã
a levantar no depois
Procuro orientação
um porto seguro onde pousar
e deixar o flutuar
Decidir sentimentos
deixando palpitar o coração
Fechar a porta a pesadelos
e abrir janelas a sonhos
flutuando novamente
regressando ao ponto de partida
sem conseguir tocar o chão
Continuo a flutuar
e flutuo
flutuando…

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Oh dor...

Oh dor que habitas no profundo do meu ser
e que de mim fizeste revolta
deixa-me renascer
e trazer-me à vida de volta

Oh marca rasgada no meu coração
e que sangras a cada batida
faz-me despertar da ilusão
e sarar esta ferida

Oh grito que te soltas num som estridente
e que no meu silêncio choras
traz-me o ausente
e depressa, sem demoras

Oh Deus que tão alto tens poder
e do céu fazes o dia
peço um milagre a acontecer
e nos meus olhos a alegria

Oh mundo que tudo arrasas ao girar
e que tudo pisas sem pudor
não me recuses o abraçar
e valoriza o meu amor…